A história da maconha

A história da maconha

2 Por BoGel

 

Aqui no Bote Esse pretendo mostrar tudo sobre o universo da maconha, com novidades deste mundo, receitas para experimentar e se divertir na cozinha, além de notícias sobre legalização, ativismo e claro, estudos científicos sobre benefícios e malefícios dessa planta. Neste primeiro post contarei um pouco da história da maconha para todos estarem por dentro de como tudo começou.

A História da maconha

O primeiro registro da droga mais polêmica no mundo é de 27.000 a.C. Isso mesmo, faz um bom tempo já. A planta tem origem no Afeganistão e era utilizada também na Índia em cultos religiosos e como medicamento. Pela mitologia a Cannabis era a refeição favorita do Deus Shiva, assim sendo, tomar bhang, uma bebida com maconha em sua receita, era uma forma de se aproximar da divindade, ensinarei a fazer bhang nos próximos posts.

Já a história da maconha na tradição Mahayana do budismo, diz que pouco antes de Buda alcançar a iluminação, ele ficou seis dia comendo somente uma semente de maconha por dia e somente isso, nada mais. Na medicina era usada para curar prisão de ventre, cólicas menstruais, malária e até dores de ouvido.

Os romanos e gregos usavam a planta para a fabricação de tecidos, papéis, palitos, cordas e até óleo. Heródoto, o pai da História, fala sobre a utilização de cânhamo (substância presente no caule da maconha), para fazer as cordas e velas de navios. Sim, a maconha ajudou Dom Pedro I a chegar no Brasil, graças a suas velas e vestimentas feitas de cânhamo.

Coincidência? Talvez.

O cultivo da planta saiu da Índia para a Mesopotâmia, e logo após para o Oriente Médio, Ásia, Europa e África. Durante o período renascentista, a maconha tornou-se um dos principais produtos agrícolas europeus, deixando-se de lado o uso da mesma como entorpecentes. Uma curiosidade irônica, o inventor alemão, Johannes Gutemberg, teve a sua maior obra feita de papel de cânhamo. Sabe qual foi esta obra? Nada mais, nada menos do que A Bíblia de Gutemberg, a primeira bíblia impressa, acredite se quiser. Com a chegada da Santa Inquisição, os católicos começaram a condenar o uso medicinal da maconha, que na época era feito por “bruxas”, estas que foram queimadas por usarem a indefesa planta.

biblia de gutemberg

Parte da Bíblia de Gutemberg

No final do século XIX a maconha virou moda entre os artistas e escritores franceses, mas também era utilizada como medicamento para dilatar os brônquios e curar algumas dores. Entre os intelectuais que ficavam chapados podemos citar Charles Buadelaire, Honoré de Balzac e Alexandre Dumas. Eles se juntavam para fumar um haxixe e pesquisavam os efeitos da droga no tratamento de doenças mentais. E veja só, nessa mesma época o Brasil já vendia cigarros de maconha…nas farmácias!

 

História da maconha no Brasil

Na América do Sul, a maconha foi primeiramente plantada pelos colonizadores espanhóis, no Chile. No Brasil, além das caravelas como já disse, os escravos africanos traziam ela escondida na barra dos vestidos e das tangas, ela era utilizadas por eles em rituais Candomblé. Essa possibilidade repercutiu muitas vezes como preconceito, outra versão é que os marinheiros portugueses traziam a planta para usufruo próprio.

Em 1783, os Lusitanos instalaram no Brasil a Real Feitoria do Linho-Cânhamo, uma importante iniciativa oficial para o cultivo de cannabis com fins comerciais graças a demanda de produtos a base de fibras.

Muitos pesquisadores afirmam que há vários indícios que Portugal investiu muito na plantação de maconha no Brasil. A Coroa não teria financiado só a introdução, mas a adaptação climática de algumas especies no estado do Pará, Amazônia, Maranhão Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.

 

Maconha se torna impopular

Até o século XX, a maconha era uma droga lícita e economicamente boa. Assim como cerveja e cigarro são hoje em dia, mas acabou se tornando impopular pois representava classes sociais inferiores, graças a sua representação cultural com o continente africano.

A proibição apareceu na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 1830. O documento penalizava o uso da erva, mas pouco se falou sobre esse assunto. Mas, no início do século XX, graças a industrialização e urbanização das cidades, o hábito de “fumar um” ganhou muitos adeptos.

Pouco tempo depois “higienizadores” tentaram consertar a situação colocando ainda mais preconceito na erva. A população começou a ser perseguida graças ao uso da planta. Como a capital brasileira (na época o Rio de Janeiro) deveria ser modelo, a perseguição a usuários foi gigante, tiveram suas casas destruídas e acabaram saindo do centro para as margens da cidade, dessa forma formando as favelas do Rio de Janeiro.

De mal à pior

E aqui a história da maconha se complica, a maconha entrou oficialmente na lista das substâncias mais nocivas em meados de 1920, pela Liga das Nações (antecessora da ONU). Uma história não confirmada diz que foi um brasileiro que durante uma reunião afirmou que a droga matava mais rápido que o ópio! Inacreditável, não é?

E em 1961, a maconha, junto com a heroína, foram consideradas as drogas mais perigosas e nocivas do mundo. Mas, justamente nessa década, aparece o Movimento Hippie, que difundiram as drogas como um aditivo criativo. Irônico até demais.

 

Hoje em dia sabemos das polêmicas do uso da maconha por todos os lados. Um lado que apóia o uso terapêutico, como em muitos países, como Holanda, Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Dinamarca entre outros. E do outro lado um movimento mais conservador, que dizem que a maconha além de ser prejudicial, já que aumenta a propensão à esquizofrenia, é ainda uma “porta” para o mundo das drogas (quem nunca ouviu essa frase, né?).

Resumindo, aqui estamos com a mesma reflexão: a maconha deveria mesmo ser proibida? Sim, os danos à saúde existem, mas todos sabemos que a decisão da proibição não se da por conta dos males que traz e sim pela política e sociedade. Até quando a maconha será marginalizada como uma forma de preconceito pela baixa sociedade?

Fica aqui minha contribuição para todos que desconheciam a história da maconha.