Relatos da maconha no Brasil

Relatos da maconha no Brasil

0 Por BoGel

E aí, meu querido, botou esse e agora tá catando besteira na internet? O assunto deste post é a maconha no Brasil. Tá, isso você já devia imaginar. Vou falar de como a galera lá de fora vê a ganja e a cultura canábica brasileira (e como eu vejo que ela realmente é). Contribua com seu ponto de vista nos comentários e me corrija se eu falar besteira.

Mas primeiro uma parada rápida na Tailândia:

Maconha na Tailândia

Antes de fazer um rolê muito massa na Tailândia eu dei aquele confere na internet pra ter ideia se ia poder botar um lá e se daria alguma treta. Lembro de ter caído nesse blog sobre maconha Around the world

Deu pra ter uma ideia legal de quão rígidas seriam as leis proibitivas e de como era fácil de burlar. Eu acabei ficando naquela: “Será que dá pra confiar nas informações do site?”

No final das contas deu tudo certo e o negócio acabou sendo mais preciso do que eu imaginava. A questão é que eu estava de passagem então se viesse um “naturinha” qualquer era lucro.

Obs: natura é como o pessoal de Pernambuco chama a flor da maconha seca, sem química e sem linhagem bem definida. Você paga em média R$ 70,00 por 50 g do natura por lá.

Eu não me arrisquei a fumar em Bangkok até porque para conseguir você precisava comprar da galera que fica oferecendo na rua e eu realmente não confiava pela qualidade e também pela possibilidade desses mesmos caras denunciarem você para a polícia (existem vários relatos online).

Viajei pelas ilhas paradisíacas da Tailândia passando por Krabi, Koh Phangan, Koh Phi Phi etc. Nesses lugares o que mais tem é gringo curtindo as praias hospedados em hostels que além da dormida oferecem festas.

Koh Phi Phi maconha

Ilha de Koh Phi Phi

Em Koh Phi Phi (onde foi gravado o filme “A Praia“) foi minha melhor experiência. Todo hostel/barzinho vendia o baseado pronto pelo equivalente a 20 reais. A qualidade não era lá essas coisas todas, mas quebrava o galho lindamente.

Em resumo, nesses lugares, a polícia não tava nem aí e até gerenciava os lugares que podiam vender (tudo ilegal mas funcionando).

Maconha no Brasil

Aqui no Brasil o negócio é diferente, quem fuma quer sempre arrumar uma coisinha boa pelos lugares que passa e nem sempre os contatos estão disponíveis. Resolvi escrever esse texto como uma contribuição com o ponto de vista de quem conhece os rolês de Pernambuco (capital e interior), Floripa e São Paulo como morador.

São aí pouco mais de 4 mil km de maconha no Brasil! 

Para começar, um guia bem simplificado e rápido das diferenças de nomenclatura em Pernambuco, Floripa e SP:

Natura chama-se “lenha” em Floripa. A gente não encontra a planta colhida e sem prensar como em Pernambuco, porém os prensados da cidade normalmente não têm química sendo a mesma coisa no final das contas.

Quando eu digo que não encontra é porque não é o mais comum.

Em São Paulo eu procurei pelo prensado sem química e até encontrei no entanto paguei 100 reais por 20g e nem se compara a qualidade do que é encontrado em Floripa.

Outra diferença é que em Floripa você dixava o prensado e já era, tá ali verdinho e lindão. Em São Paulo a parada é mais escura então resolvi “lavar o prensado” pra ter certeza que não tinha química. O processo é bem simples, coloquei água para ferver, desliguei o fogo e joguei a maconha dentro por 10 minutos.

Depois coloquei para secar no sol e realmente ficou com o aspecto do natura, pois hidratou e pude separar galhos e sementes. No entanto, mesmo sem química, a qualidade do fumo não é das melhores.

Apesar da minha experiência ruim em SP, outro brother, também pernambucano, botou esse do prensado verdinho que conseguiu em SP. Ou seja, talvez eu ainda não tenha encontrado mas que tem, tem.

Atenção: O prensado em Pernambuco normalmente é o nome dado a maconha misturada com uns lixos como amônia. Em outros lugares como Floripa, o nome é dado pelo simples fato de passar na prensa.

Em Pernambuco a gente chama de kunk qualquer maconha de cultivo indoor, mais profissional, como por exemplo o colombian gold. Também rola os “kunks do sertão” que são flores de cultivo outdoor muito mais bem cuidadas que o natura.

Em Floripa pareceu ser a mesma coisa, inclusive também tá rolando o colombian que rola em Pernambuco e SP por preços bem parecidos (entre 15 e 25 reais a grama). Haxixe, hash oil e coisas do tipo são um pouco mais difíceis de encontrar e seguem o mesmo padrão de nomenclatura.

“Mais de 4 mil km de lombra”

Nas 3 cidades onde morei nesses 12 meses pude encontrar espécies fodas e também ice e haxixe marroquino. No entanto, esses são fumos onde se paga entre 60 e 150 reais pela grama e não vou dar muitos detalhes nesse texto (quem sabe num próximo).

Mas beleza, o objetivo não é falar apenas de nomenclatura. No mesmo site gringo que me informei antes de viajar, tem as dicas em relação ao Brasil também. Os caras exploram um pouco dos seguintes tópicos:

  • Legalidade da maconha

Comentam um pouco das consequências de ser pego portando maconha e deixam claro que você pode desde ser preso a receber um alerta. Comentam também que isso vai variar de policial para policial caso aconteça.

A informação, apesar de genérica, procede. É costume dos brasileiros em Recife, Floripa, São Paulo, Fortaleza, Salvador ou onde quer que seja tomarem um mínimo de cuidado com a polícia ao fumar em shows e eventos em geral.

  • Como conseguir

O site deixa claro que você pode conseguir em qualquer cidade. Basta encontrar o dealer no role seja barzinho, balada ou praia.

Procede, no entanto não é tão simples assim visto que você provavelmente vai cair em fumos de péssima qualidade. Quem vende coisa boa não sai com uma cinquentola de natura ou fumos de espécie oferecendo ao povo. Normalmente são negociações que envolvem conversar com o dealer e marcar um ponto de encontro pra pegar a parada. Isso tudo depois de ter recebido a indicação de alguém que é cliente do dealer.

  • Qualidade, nomes e preços da maconha no Brasil

O mais engraçado dos sites gringos tá aqui. Os caras falam que algumas espécies brasileiras que podem ser encontradas são “erva, massa, maconha e bagulho”. O site segue sendo bastante genérico ao dizer que “você deve experimentar a maconha do Mato Grosso do Sul, pois quem provou falou que é muito gostosa”.

Bem, eu concordo, já me salvaram com um de lá que é o bicho e tem gostinho de limão. O doidão levou para uma praia de Pernambuco chamada Porto de Galinhas e fez a alegria do povo.

Isso me lembrou uma música muito bacana do MC Eltim que se chama País da Ganja e dá uma visão geral de como a gente chama a maconha no Brasil, num flow muito foda, escuta aí:

Por último, o site gringo fala que a maconha no Brasil é uma das mais baratas no mundo, porém deixa claro que por preços baixos a qualidade nem sempre é boa.

Não vou discordar dos caras, pra quem vê de fora tá certíssimo uma vez que se você tá de passagem não vai fazer compras como faz no seu dealer favorito.

Eu comecei a escrever esse texto em 2017 enquanto tava morando em Floripa, lembrei dele e resolvi concluir agora em São Paulo, morrendo de saudade da manga rosa encontrada no interior de Pernambuco e ansioso para a noite onde o brother gourmet vai salvar com uma flor.

Aproveito esse texto para agradecer o salve dos coiseros de tantos lugares que já me salvaram. Campo Grande, Natal, Araripina, Fortaleza, Triunfo… De norte a sul nesse país, é tudo maconheiro gente boa!

Eu adoraria conhecer um pouco da sua experiência canábica pelo mundo. Bote Esse, reflita e deixe seu comentário!